Sobre

Esta é a página do laboratório do Dr. Carlos Hotta, do Departamento de Bioquímica, Instituto de Química, Universidade de São Paulo.

Search
Powered by Squarespace
Sobre o blog

Quando criança, eu sonhava estudar dinossauros. Hoje em dia tenho outros sonhos mas ainda tenho brontossauros no meu jardim. Por Carlos Hotta.

Feed me!

Guto e Dadá são dois irmãos que se divertem um monte discutindo os assuntos mais diversos da Ciência. Como Guto é estudante de biologia, os assuntos acabam pendendo para esta área mas a curiosidade do caçula Dadá é ilimitada.

Alguns textos publicados da dupla são:

Dadá e as Plantas Carnívoras - Dadá comprou uma planta carnívora de estimação mas ela não é tão voraz quanto ele esperava.

Dadá contra as algas - Dadá resolve se revoltar contra as algas antes que elas conquistem o mundo!

As batatas da tia Camila
 - Guto resolve ajudar o Dadá com a lição de casa mas o que as batatas têm a ver com a tia dos dois?

Aipim, Mandioca, Macaxeira e companhia - As plantas são chamadas de forma diferente no Brasil e no mundo, como é que os cientistas conseguem se entender?

O dia das bruxas do Dadá - do quê os dois irmãos vão se fantasiar neste dia das bruxas? Seu Antônio, o pai dos dois, tem algumas sugestões.

Dispersando Dadá - carrapichos sempre pegam carona nas calças do Dadá. Saiba o porquê antes que ele jogue todos pela janela do carro.

A reforma de seu Antônio. A família toda vai para o médico e seu Antônio, engenheiro que é, decide que é hora de reformar o corpo humano.

================================================================

Quarta-feira
Dez042013

Dia das bruxas de Dadá

Seu Antônio lia tranquilamente o seu jornal quando Dadá entrou na sala carregando quatro rolos de papel higiênico.

- O que é isso filhão? Está com dor de barriga? – perguntou seu Antônio assustado.

- Não pai! Hoje vai ter uma festa do dia das bruxas na vizinha. Eu decidi vestir-me de múmia! – respondeu Dadá, começando a enrolar um pedaço de papel higiênico em torno da perna – Me ajuda?

- Espera aí, assim você vai fazer a maior sujeira aqui em casa e lá na festa. Por que você não escolhe uma outra fantasia? – interrompeu o pai, preocupado com o desperdício de papel - O que seu irmão vai vestir?

De repente, uma voz abafada entra na sala:

- Frankensteeein! – respondeu Guto, irmão mais velho do Dadá, vestindo uma máscara verde horrível.

- Mas vocês, hein? Só fantasias de monstros importados! Porque vocês não tentam algo mais brasileiro? – sugeriu seu Antônio.

- Brasileiro como o leão do Imposto de Renda e o dragão da inflação? – brincou Guto, já sem a máscara que o deixava suado.

- Não, existem vários monstros brasileiros que vocês poderiam fantasiar-se. Quando eu era pequeno, o bisavô de vocês contava um monte de histórias sobre eles para mim e para os seus tios. A gente ficava com tanto medo que nem dormia direito! Tinha o saci-pererê, a cuca, o curupira, o boitatá… - lembrou-se o pai, com saudades da época em que dragões da inflação não eram uma preocupação para ele.

- Então vocês se fantasiavam desses bichos nos dias das bruxas? – perguntou Dadá, que sempre achava engraçado pensar que o seu pai também fora garoto.

- Quando eu era garoto não se comemorava dia das bruxas aqui no Brasil. – respondeu o pai que, já sabendo o que os garotos iam falar, continuou - E antes que vocês comecem a me chamar de velho, não se comemorava isso por aqui nem quando Guto era criança.

- Mas o Guto também é velho né pai? – respondeu Dadá para quem os 19 anos do irmão eram uma eternidade comparados com seus 6 aninhos.

- O dia das bruxas é uma versão moderna de festas que os celtas faziam em homenagem aos espíritos na época das colheitas. Esta data é bastante celebrada nos Estados Unidos. Aqui no Brasil tudo começou com as escolas de inglês, que colocaram a festa no dia 31 de outubro. Como brasileiro gosta de uma festa, o dia das bruxas pegou. – explicou o pai – Eu achava que a gente devia ter é um dia do saci!

- Pai, conta uma das histórias que você ouvia do bisa! - pediu Dadá.

O seu Antônio, que adorava contar uma história, se ajeitou na poltrona e, fazendo voz de mistério, começou:

- O curupira, que a minha avó chamava de caipora, é um espírito protetor da floresta que ataca quem a maltrata. Ele tem o corpo coberto de pêlos, cabelo vermelho que nem fogo e dentes verdes afiadíssimos. Às vezes ele é visto montando um porco do mato. Os seus pés são virados para trás, assim, quem tentar seguir seus rastros, acaba perdido! Lá na fazenda tinha um velhinho cujo irmão era um caçador valentão que um dia resolveu caçar o curupira. Dizem que ele entrou na mata, com a espingarda na mão, e desapareceu. Só o encontraram mais de uma semana depois! O cabelo dele estava branquinho e os olhos, esbugalhados. Nunca mais foi o mesmo e tinha medo até de lagartixa. O povo dizia que ele teve sorte: quem mexe com o curupira nunca mais volta!

- Nossa! Conta mais, conta mais! - pediu o Dadá, todo arrepiado.

- O boitatá também é um guardião da floresta. – continuou o pai - Ele é uma cobra de fogo gigante que corre atrás de quem maltra a natureza. A mula-sem-cabeça assombra quem viaja sozinho de noite. A iara, ou mãe-das-águas, é uma sereia que atrai os moços para rios e lagos para afogá-los. Já o boto-rosa vira homem de noite e vai de festa em festa conquistando moças e engravidando-as.

- Poxa pai, pelo menos parece mais real que os monstros dos filmes! - comentou Guto.

- E era, imagina só que não tinha luz elétrica na fazenda então, de noite, era uma escuridão só. Era só a gente, o lampião, a noite e a nossa imaginação. Sempre que a gente via uma sombra mais estranha, ou um ruído desconhecido, a gente achava que era algum desses monstrengos. O meu predileto era o saci.

- Eu conheço o saci! É um negrinho que pula numa perna só. Ele sempre aparece no Sítio do Pica Pau Amarelo! - gritou o Dadá.

- Sim, esse mesmo! Ele sempre está vestido com um capuz vermelho e fumando um cachimbo. Apesar de ter uma perna só, ele é bastante rápido porque ele pode montar em rodamoinhos. O saci aprontava um monte lá na fazenda! - contou o seu Antônio, dando risada - Ele dava nó na crina dos cavalos, quebrava as cercas, assustava as galinhas e machucava os bois! O bom é que sempre que a turma aprontava alguma, a gente podia botar a culpa no saci. Você acredita que, uma vez, eu e seu tio mais velho tentamos pegar um saci? Nós ficamos três dias em uma encruzilhada caçando redemoinhos! Três dias!

Vendo que o Dadá estava impressionado com as suas histórias, seu Antônio resolveu tranquilizá-lo:

- Não pensem que só existem histórias de monstros, tem também aqueles que nos ajudam. Dizem que o curupira ajuda quem se perde na floresta e não faz mal à natureza. E tem também o negrinho do pastoreio. Ele era um garoto escravo que foi maltratado até a morte pelo seu dono por ter perdido, e não ter encontrado, um cavalo. Sempre que a gente tem um problema ou perde alguma coisa, é só acender uma vela para o negrinho do pastoreio que ele nos ajudará.

De repente os olhinhos do Dadá ficaram arregalados e ele disse, pulando de alegria:

- Tive uma ideia, pai! Não vou mais vestir-me de múmia, quero fantasiar-me de saci! Afinal eu sou o melhor pulador de uma perna só da turma! Você me ajuda a fazer a fantasia?

- Claro filhão! Bagunceiro você já é! E você vai ver como a sua fantasia vai ser diferente. Brasileira e original! - entusiasmou-se o pai. - Vamos ver se sua mãe tem tecido vermelho!

- Guto, você também vai querer um gorro de saci? - perguntou o seu Antônio.

- Não, já sei do que vou me fantasiar. - respondeu Guto.

- De que? - perguntou Dadá.

- Eu vou de boto-rosa para conquistar todas as meninas da festa! - respondeu Guto, sério.

- Xiiiii, filhão! Aproveita então para acender uma vela pro negrinho do pastoreio! - riu o pai.

- É melhor ele acender o pacote inteiro porque o caso é sério! - gargalhou o irmão.