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Esta é a página do laboratório do Dr. Carlos Hotta, do Departamento de Bioquímica, Instituto de Química, Universidade de São Paulo.

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Sobre o blog

Quando criança, eu sonhava estudar dinossauros. Hoje em dia tenho outros sonhos mas ainda tenho brontossauros no meu jardim. Por Carlos Hotta.

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Quarta-feira
Dez042013

Dadá contra as algas!

Dadá é um garoto esperto. Como qualquer menino de seis anos de idade, ele vive querendo saber o porquê de tudo. Seu irmão, Guto, estuda biologia na faculdade, e tem a maior paciência em esclarecer o que pode para o caçula. O único problema é que Dadá costuma soltar a imaginação enquanto ouve as explicações. Outro dia, a família foi a um restaurante japonês e a comida servida foi objeto de muita informação, mas também de uma confusão danada!

Seu Antônio recebeu um aumento e, para comemorar, resolveu levar toda a família para jantar. Estavam todos sentados no chão de pernas cruzadas e limpando as mãos com toalhinhas quentes. “Você tem certeza de que é fácil comer com estes palitinhos?”, perguntou Dona Júlia, a mãe.

- Moleza! - falou Guto. - Eu vi o Kaneto usando uma vez. Não parecia difícil!

Dadá estava maravilhado com o restaurante japonês, principalmente com as carpas, que nadavam tranquilas e coloridas de um lado para o outro. Havia também lindos quadros na parede, com samurais pintados que pareciam prontos para pular na mesa e lutar com ninjas. De repente, abre-se a porta da cozinha e sai um garçom japonês equilibrando toda a comida. Tinha um pouco de tudo: sushis, sashimis, arroz branco, peixe grelhado, tofu, sopa de soja… Tudo muito bonito e diferente.

- Mas como eu vou saber o que tem e o que não tem algas? - pergunta Dona Júlia.

- é só procurar na embalagem dos produtos. Se entre os ingredientes existirem substâncias como o ágar, os alginatos e a carragena, o produto contém algas. Geralmente, elas são usadas como espessantes ou estabilizantes, ou seja, para deixar os produtos mais cremosos ou para ajudar a misturar seus ingredientes - explica Guto. - Mas só os orientais usam algas na alimentação, certo? - pergunta o seu Antônio.

- Errado, pai. Vários alimentos que a gente come ou bebe todos os dias têm produtos retirados de algas - responde Guto. - Aqueles iogurtes com frutas que a mamãe compra, por exemplo, têm. O mesmo vale até para a cerveja!

Nesse momento, o garçom japonês pára e interrompe a conversa:

- É mentira! Olha aqui no rótulo desta latinha - diz ele pegando uma lata de cerveja em outra mesa. - “Ingredientes: água, malte de cevada, lúpulo e fermento”, nada de algas.

Todos olham espantados para o garçom, que devia estar escutando toda a conversa há tempos. Guto pega a latinha, lê o rótulo e explica:

- Espera um pouco, você não leu o rótulo inteiro! Olha aqui: “Contém estabilizante INS 40”. Esse é o código que algumas empresas usam para o alginato, que é retirado de algas marrons. EP I, EP II e EP X são códigos de produtos retirados de algas usados como espessantes. Eles colocam o alginato para a cerveja ter mais espuma.

Enquanto o Guto continua explicando sobre o uso das algas em pesquisas cientícas e em remédios, Seu Antônio e Dona Júlia, surpresos com a ousadia do garçom e com todas as utilidades que as algas têm, decidem pedir a sobremesa.

- Pois, de agora em diante, não tomo mais remédios que tenham algas, muito menos tomarei cerveja! - confirma Dadá. - Agora, já me decidi que não como nem uso mais nada vindo de algas! Estou contra as algas! 

Enquanto Dadá fica com os braços cruzados, firme em sua decisão, chega um outro garçom com quatro taças enormes de sorvete. Dadá logo se esquece de toda a discussão e se prepara para comer sua sobremesa.

- Dadá, eu duvido de que você não vai comer nem usar nada vindo de algas - provoca Guto, preparando alguma coisa.

- Pois não vou! - afirma Dadá.

- Não vai comer nada mesmo? Tem certeza? - continua Guto.

- Nadinha de nada! Estou eliminando as algas da minha vida! - confirma Dadá, agora pegando uma colher cheia de sorvete.

- Nem mesmo o leite de caixinha que você leva de lanche? - desafia Guto - São utilizados produtos de algas para deixá-lo cremoso.

- No meu leite com chocolate???

Essa descoberta pegou o Dadá de surpresa. Ele até se esqueceu um pouco do sorvete, apesar de ser de passas ao rum, seu sabor preferido. O seu leitinho não era nojento, mesmo contendo algas. Na verdade, quase tudo que o irmão falou que continha algas não era nojento, mas ele não podia deixar o irmão ganhar essa. Então, ele decidiu ser teimoso:

- Tudo bem, não vou mais levar leite de lanche!

- E aquele pudim de chocolate que a mãe compra? - perguntou Guto, rindo.

- Eu nem gosto desse pudim mesmo! - respondeu Dadá, sem recuar de sua posição.

- Mas de sorvete você gosta, não é? Pois ele está cheio de produto de algas! - completou Guto, já gargalhando. - Tem algas até no chantilly!

Dadá pára, olha o seu sorvete, olha para o irmão, que continua dando risada, e coloca uma colherona na boca: “Sorvete pode!”, responde de boca cheia.

Todos começaram a dar risada do Dadá, mas ele nem deu bola. Afinal, sorvete é sorvete.

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