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Esta é a página do laboratório do Dr. Carlos Hotta, do Departamento de Bioquímica, Instituto de Química, Universidade de São Paulo.

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Sobre o blog

Quando criança, eu sonhava estudar dinossauros. Hoje em dia tenho outros sonhos mas ainda tenho brontossauros no meu jardim. Por Carlos Hotta.

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Terça-feira
Abr072015

Brontossauros renascem

Há algum tempo penso em reativar o blog. No entanto sempre me faltou um empurrãozinho para que isso acontecesse. Faltava algo extraordinário que me fizesse voltar a escrever. Mas eu sabia de uma coisa, uma hora isso ia acontecer: uma das coisas que mais garantidas na Ciência, é que coisas extraordinárias acontecem.

Uma das mais piadas (nerds) mais prontas no meu blog é que, bem, brontossauros não existem. Ainda no século XIX, a espécie Brontosaurus excelsus foi descrita apressadamente por Marsh. No entanto, depois se descobriu que o esqueleto que representava a espécie era muito parecido com outro gênero, Apatosaurus e, portanto, os dois gêneros deveriam ser unificados. Assim, como o gênero Apatosaurus fora descrito primeiro, o Brontosaurus excelsus se tornou Apatosaurus excelsus, extinguindo-se os brontossauros.

Trocas de nomes e gêneros são muito comuns em taxonomia, cujo trabalho equivale à pegar uma foto de pessoas andando na Paulista e tentar descobrir quem é mais aparentado de quem. Quando se trata de taxonomia de fósseis, a coisa é pior, pois a foto é preto-e-branco, está desfocada, puída e picada em mil pedaços, sendo que muitos deles foram comidos pelo seu cachorro.

O fato extraordinário é: o gênero Brontosaurus voltou! Um estudo extenso do grupo Diplodocidae que acabou de ser publicado no PeerJ, acaba de reorganizar todo o grupo o que resultou, fortuitamente (ou não), na volta do gênero Brontosaurus! Este estudo se destaca - creio - pelo o número de espécimes utilizados (81), junto com o número de caracteres morfológicos medidos (477) e a técnica utilizada para gerar os agrupamentos. Obviamente isso pode mudar em futuros estudos, mas guardarei para sempre este artigo para mostrar a detratores.

É bom sempre lembrar que estudos taxonômicos e análises filogenéticas não servem apenas para renomear coisas e agradar o autor deste blog. É com estes estudos que conseguimos entender um pouco mais sobre da história da vida na Terra, que conseguimos entender um pouco mais sobre a diversidade atual da vida na Terra e, por consequência, um pouco mais sobre como funciona a evolução.

Existem muitos motivos para eu ter parado de escrever no blog. A falta de tempo e a falta de motivação são dois deles. Além disso, críticas sempre chegam mais rápido do que elogios, então parece que estamos fazendo tudo errado. Quem sabe agora que o blog tem um nome taxonomicamente válido, eu me sinta mais à vontade para escrever?

Fontes:
Artigo de divulgação na Nature News
Artigo original no PeerJ (também fonte da imagem)